Faces e raízes da felicidade

As faces da felicidade, ninguém pode negar, são muitas e variadas
A maior parte das pessoas, quando perguntadas
Sem nenhuma reflexão demorada, dizem logo que são felizes
Seja como for, ainda que variadas sejam as faces da felicidade
As suas raízes legítimas, podemos dizer, não são variadas
São únicas e comuns a todas as pessoas realmente livres e felizes
Que são, a saber: a fé, a esperança, a humildade e o amor


Sem o cultivo contínuo dessas virtudes
A vida individual permanece sempre pobre
E a vida comum acontece, se acontece
Igualmente pobre, superficial, tediosa e vulgar  
E por mais que se tente, por mais que se busque
Por mais que se tenha fama, coisas e dinheiro
Não se encontra - em lugar algum
Nem a felicidade e nem a paz desejada
E todo homem, grande ou pequeno, rico ou pobre
Vive em constante estado de ansiedade e angústia
Não apenas triste e insatisfeito com o mundo
Mas – acima de tudo – insatisfeito consigo mesmo


A ausência dessas virtudes, mesmo contra a nossa vontade
Arranca as nossas máscaras de felicidade e deixa evidente
O nosso imenso, exasperante e profundo fracasso na arte de viver
Porque amar e ser amado, penso, é o fundamento necessário
De qualquer felicidade minimamente sincera e verdadeira
Porque a felicidade, se verdadeira, não habita – nem frequenta
Os mesmos lugares habitados e frequentados pelo ódio


Com efeito, felicidade, fé, esperança, humildade e amor
Andam de mãos dadas e em oposição direta ao ódio
E ao individualismo doentio da pessoa cheia de “eus” e “meus”

*

Sim, essa é a verdade que nos salva do desespero
A luz que nos aquece e nos ilumina por dentro
Quando tudo ao nosso redor é escuridão e caos
Na contramão de tudo que ocorre fora da alma
Tragédias e comédias, é por dentro, no coração
Ou no espírito, se preferir, mesmo sob o peso
Da ameaça de uma grande humilhação
Ou sob o fardo do medo constante de perder tudo
Família, dinheiro e até mesmo a própria vida
Quando, como quem nasce de novo
Decidimos, apesar de tudo
Seguir - até o fim da vida
Pelo caminho simples e humilde
Que Jesus ensinou, viveu e seguiu até o fim
Escolhendo o perdão, ao invés do ódio
Alimentando a esperança
Ao invés de cultivar o desespero
Esquecendo o que passou e seguindo em frente
Depondo as armas e rendendo completamente o coração
Deixando a graça e a fé em Deus
Curar as feridas da nossa alma
Lavar os nossos pecados
Remover todas as nossas dúvidas
E preencher completamente
Os espaços vazios da nossa existência
Até que a vida verdadeira, como um rio de águas transparentes
Flua e transborde ininterruptamente de dentro de nós
Mantendo a nossa alma - como que suspensa
Num suave, constante e reparador estado de admiração
Que acalma o nosso coração, abre os nossos olhos
E nos leva a olhar para as belezas que existem ocultas
Além das mesmices e do tédio que nos rodeia
Levando-nos, por assim dizer, a sentir cada novo amanhecer
Ou cada momento do dia, não como uma insignificante bolha de sabão
Mas sim, como se ele fosse sempre, sempre e sempre
O maravilhoso e grandiosos amanhecer
Vivo e ensolarado do primeiro dia da criação
Quando Deus disse: Haja luz
E a luz a inundou o mundo com graça e vida
Ouvindo e dizendo sim, todo dia, ao sussurro ininterrupto da vida
Deixando a nossa existência ganhar força, coragem, inspiração e pureza
Em cada sonho, pensamento, palavra, gesto e ação nossa
Indo sempre em frente, abrindo caminho através da escuridão
Que verdadeiramente nascemos para a verdade e para as belezas
Que dão vigor, altura, largura, profundidade e sentido
Ao nosso modo de ser, iluminando a história inteira da nossa existência
E continuamos nascendo e renascendo, sem cessar, todo dia, o dia todo
Até o dia derradeiro da nossa existência nesse mundo
Quando enfim, finalmente, pela graça de Deus
Nos encontraremos de pé, face a face
Diante da grande - e única - fonte de toda vida
Que já nasceu, existiu e morreu nesse mundo, Deus


Com efeito, independente das circunstâncias
É nas profundezas da alma, nos domínios do coração
Enquanto houver possibilidade de renascimento e renovação
Ou enquanto escolhermos conservar intocadas
A liberdade, a verdade, a pureza
A vida e a integridade da nossa alma
Perdoada, sem medo, vergonha ou culpa
Viva, criativa e persistente, a vida se ergue
De qualquer queda e supera qualquer ameaça
E mesmo nas situações mais difíceis
Ou vivendo nos lugares mais horríveis
Podemos, pela fé, nos colocar de pé e seguir em frente
Com a consciência tranquila perante Deus e perante os homens
Nos esforçado sempre – e cada vez mais - para sermos o que ele, Deus
Nos chamou para ser e viver, ou seja, livres e felizes


Da mesma maneira, é por dentro
Nas profundezas da alma
Nos domínios do coração
Todo dia, o dia todo, sem parar
Que morremos para as verdades da vida
E para a grandeza dos sonhos 
E ficamos completamente surdos 
Para os chamados da esperança
Levando uma existência vazia e insignificante
Quando, ao invés de crer, amar e perdoar
Escolhemos virar as costas ao chamado da vida
E começamos a odiar, resmungar e amaldiçoar a nossa sorte...
_VBMello

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