28 de junho de 2017

Espírito Santo – Espírito de Deus

Envias o teu Espírito..., e assim renovas a face da terra. [Salmo 104:30]
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O Espírito é livre
Nós sabemos que ele
Se move com poder

Mas não podemos prever
A direção do seu mover

Nós somos as sementes
Ele é a chuva que vivifica
E faz brotar a semente

Tudo que podemos fazer
É nos mover com ele
Quando ele se move

Somos a folha caída, ele é o vento
Que nos levanta e nos leva por caminhos
Que jamais poderíamos trilhar por nossa conta...


* * * 

No princípio, quando tudo começou, quando tudo era abismo e escuridão, sobre a terra sem forma e vazia, ele se movia. E acima de tudo que pairava, comunicava vida, beleza, forma, sentido e alegria...


Do mesmo modo, com o mesmo poder e graça, em todas as épocas, do começo ao fim dos tempos, acima da natureza tenebrosa do coração humano, o Espírito paira como uma reconfortante brisa que acalma as tempestades da alma, um sol que brilha e ilumina a escuridão do coração, uma chuva mansa e desejável, graça que absolve, alegra e faz florir os desertos dessa nossa vida sofrida.


É dele, e somente dele, fulgor celeste que se move sobre o seio sombrio das eras passadas, das cruzes desse tempo presente e das expectativas de um incerto futuro longínquo, que se estende e desce sobre o coração faminto dos povos, o entusiasmo que motiva a vida e a luz que se desdobra, ilumina e pacifica o caminho dos homens de boa vontade, que lutam - a preço de fé, batizados a suor e sangue - pela construção de um mundo melhor.


De pentecostes a pentecostes, em rota de colisão com os cavaleiros do apocalipse, contra as forças assustadoras que combatem a esperança, esfriam o amor e submetem e provam - a ferro e fogo - a alma dos homens de fé, o Espírito de Deus é poderoso e a sua capacidade de vencer a morte, sustentar a vida, inspirar significado e restaurar o valor e o sentido original das coisas simples desta vida, não conhece limite algum.


Quando ele passa - transforma corações - e faz novas todas as coisas. Inspira as palavras dos poetas, move o coração dos profetas e faz renascer a antiga, esquecida e universal linguagem do coração: fé, esperança e amor.


Quem é como ele? Ele abate os orgulhosos e eleva os humildes de espírito. Ele retém o mal... Ele derruba reis... Sem pedir licença a qualquer poder, potestade ou domínio, ele passeia livremente por toda a terra e nela realiza a obra de Deus, chamando e ungindo homens e mulheres, para que preguem boas novas aos pobres, proclamem liberdade aos cativos, restaurem a vista aos cegos, e libertem os oprimidos de alma.


Acima de qualquer império, rei ou tirano, por mais poderoso que seja, ele paira soberano. Nenhum leão ronda ao seu derredor. Nenhum poder segura os seus passos. Como um resplendor sem nuvens, ele olha as trevas nos olhos e elas tremem e se retiram.


Variadas são as suas obras... Ao seio dos povos desolados, humilhados e injustiçados, roubados em suas esperanças, Deus o envia e ele batiza e renova o coração dos homens. Ressuscita sonhos, sacia a fome de justiça e anuncia tempos de paz aos homens de boa vontade... Ele sopra como o vento e sussurra como a brisa suave que vem do mar. Ele se move com a suavidade das águas de um rio calmo e cristalino, ou corre com a fúria de uma tempestade de ventos, raios, trovoadas e relâmpagos.


Terrível como as labaredas de um fogo consumidor, exércitos, soldados, fronteiras geográficas, psicológicas, espirituais, culturais, econômicas, ou o que for, nada tem poder para impedir o seu mover. Em todas as nações, povos, línguas e lugares, todo dia, o tempo todo, sem cessar, ele convence do pecado e do juízo. Ele fala aos corações e chama todos ao arrependimento...


Ninguém pode tapar os ouvidos ao seu chamado. Ninguém pode dizer que não viu. Ele abre os olhos dos cegos e sussurra vida aos ouvidos surdos. Ninguém pode reclamar de falta de sentido e significado. Aos que não fogem da luz e amam a verdade, sem exceção, ele visita e dá sonhos, visões e novos motivos para levantar, viver, acreditar e amar. Ele fortalece o cansado de espírito e coloca de pé o desanimado de alma. Ninguém pode se dizer insensível... Ninguém pode dizer que não sente... A todos ele dá um novo coração.


Sem qualquer intermediário, dia e noite, ele fala direto ao coração das pessoas. Ele fala aos homens em pleno meio-dia, no meio da rua. E ele fala também nos sonhos dos homens, quando eles, cansados do dia - e sem tempo para Deus - caem em sono profundo.


Ele visita o encarcerado, vigia o doente e conforta o deprimido. Ele zela por todos que são de Cristo. Ele é o selo da nossa salvação.


Em tempos de morte
Ele inspira vida
Em tempos de incerteza
Ele inspira fé
Em tempos de choro
Ele inspira alegria
Em tempos de perseguição
Ele inspira coragem
Em dias de tristeza
Ele inspira e cânticos de júbilo
Eu dias de guerra
Ele inspira a paz
Em dias maus
Ele inspira perdão e amor
Em dias de ameaça e arrogância
Ele derruba o cavalo e o seu cavaleiro


Cercados por inimigos, caluniados e ameaçados por leões que rugem ao derredor, quando vencidos pelo cansaço, dormimos e repousamos, ele não repousa nem dorme. Sob o seu olhar, dormimos e acordamos em paz e segurança. Enquanto dormimos, ele vigia e zela por nós. Ele nos livra do mal. Nenhuma arma forjada contra a nossa alma prosperará. E quando tudo desaba, ele faz com que todas as coisas cooperem para o nosso bem e nos conduz cada vez para mais perto do amor de Cristo.


Caminhos estreitos, caminhos largos, luzes ou escuridão...Bares, bordéis ou templos... Religião fanática ou ateísmo radical, tudo para ele é a mesma coisa. Impérios ou ilhas de solidão, nada impede a sua ação. Ele toma e chama para si, homens carnais – os piores, os que ninguém deseja ou acredita, os malditos, os renegados da terra e os abandonados por pai e mãe - e os transforma em homens de vida, verdade, espírito e justiça. Ele transforma loucos em sábio, medrosos em valentes e pecadores em santos... Ele muda o coração e o destino dos homens.


Como um vento suave que limpa o ar e renova a vida, ele sopra onde quer. Para ele, qualquer um, rico ou pobre, grande ou pequeno, fariseu, judas, cobrador de impostos ou pescador, não importa, todos os homens são uma coisa só: alvos do imensurável amor de Deus. Todas as almas são dele e ele chama, capacita e santifica quem ele quer, na hora que quer, e sem pedir permissão a ninguém. A todos, sem aviso, de súbito, ele surpreende, entra no barco, senta na mesa, derruba do cavalo, chama ao arrependimento e oferece vida nova...


Ele farta a alma sedenta e enche de bens a alma faminta. Ele unge o humilde e fere o arrogante, que desaba como uma casa velha construída sobre um monte instável de areia.


Ele envia e guia homens até os confins do mundo, mas antes de qualquer homem, ele mesmo, por sua própria conta e vontade, é o primeiro que chega aos confins da terra. Ele não envia ninguém a lugares onde ele mesmo já não tenha estado e começado um incêndio no coração das pessoas. Ele faz corações arderem de amor por Deus. Ele desperta almas adormecidas para a verdade. Ele começa um despertamento que se espalha por outros corações. Sim, ele incendeia corações de amor por Deus, e só depois envia pessoas para apagar o incêndio. Ele cria a fome da Palavra de Deus e envia pessoas para saciar a fome dos povos. Antes das palavras de qualquer pregador, ele chega primeiro ao coração dos homens.


Antes que qualquer oração seja proferida, ele já se encontra agindo nas profundezas dos corações, iluminando escuridões, rompendo solidões, sarando feridas, criando alegrias novas, renovando a vida, fazendo novas todas as coisas, criando novos sonhos, dando novas visões e concedendo novos motivos para levantar da cama e viver.


Ele destrói fortalezas e aniquila preconceitos. Ele brilha como um relâmpago na escuridão. Com ele, em qualquer caminho, em qualquer situação, estamos seguros. Sem ele, a nossa vida neste mundo que jaz no Maligno, seria completamente impossível. Sem as suas misericórdias, num instante, seriamos consumidos e destruídos pela indiferença do mundo.


Dele, que nos envia a lugares que não conhecemos, vem a sabedoria para compreender os entroncamentos e perigos do caminho. Dele, que ora por nós com gemidos inexprimíveis, vem a força que anima os nossos passos e a luz que ilumina o nosso caminho.


Se ele permanece em nós, em comunhão com o nosso espírito, sabemos que somos filhos de Deus. Se ele se retira de nós, a nossa consciência cauteriza, o nosso coração vira um pedaço de pedra inerte dentro do peito, a nossa fé vira exibicionismo, a nossa capacidade de amar sem barganhas morre, perdemos a certeza de que somos filhos de Deus e o nosso coração se torna cego, surdo e insensível, e nada mais cremos ou percebemos das coisas que se discernem espiritualmente.


Por fim, cheios de pecados e dúvidas, desconfiamos da divindade de Jesus, duvidamos da existência de Deus e mergulhamos no submundo espiritual da existência, vivendo e sofrendo a mesmice e o tédio de uma existência vazia de transcendência, aguardando com ansiedade o fim de tudo.


Sim, pelo tempo que ele permanece em nós, transbordando como um rio de água viva, a nossa existência igualmente transborda cheia de vida e sentido. Se ele se retira, a nossa vida fica vazia...E tudo fica sem sentido.
_VBMello
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25 de junho de 2017

A miséria da condição humana

Para poder viver inteiro neste mundo
O ser humano necessita reconhecer
As suas faltas, quedas e pecados



Precisa aceitar o perdão de Deus
E deve compreender que tudo
É favor imerecido



Todos pecaram e carecem
Da graça de Deus
Essa é a nossa realidade
Essa é a nossa condição
Cristo é a nossa salvação



Quem não compreende
Nem aceita essa verdade
Não conhece nada sobre Deus
Desconhece o próprio coração
Vive iludido pela vaidade
Não amadurece espiritualmente
E jamais cresce na fé



Parvo, cego, surdo e miserável espiritual
Incapaz de discernir e excessivamente lento
Para aprender as coisas do Espírito de Deus



Dizendo-se sábio
Mas confundindo as coisas
Sem experiência na prática da justiça
E débil no ensino da verdade 
Necessitando sempre que alguém
Lhe ensine os princípios elementares
Da palavra de Deus
Todavia, ainda assim
Incapaz de aceitar a sã doutrina
Sentindo coceira nos ouvidos
Segundo os seus próprios desejos
Endurece o pouco que resta 
Do seu superficial e confuso coração
Abandona os profetas e se deixa rodear
De poetas bêbados, drogados e suicidas



Cheio de si e vazio de tudo
Arrogante e ingrato
Falando coisas sem sentido
Segue tateando pela vida
Sofrendo e fazendo sofrer
Enganando e sendo enganado
Tropeçando e fazendo tropeçar
Errando e fazendo errar



Sem domínio próprio, incapaz de pela fé
Sofrer calado as aflições do mundo
Se perde nas perseguições
Perplexo diante das dores do mundo
Como qualquer tolo, olha para o céu
E diz que Deus não existe



Sem força moral para continuar vivo
No caminho da vida e da verdade
Fraqueja e solta a mão do arado
Desiste do bom combate
Ao invés de chorar e se arrepender
Fingindo saber o que faz
Confessa alegremente
A sua maior derrota
Como se ela fosse
A sua maior vitória
E diz no seu coração: sou ateu



Desiste da vida de filho de Deus
Para ser apenas mais um número
Na miserável conta daqueles
Pobres corações empedrados,
Onde o poder do amor esfriou e a fé morreu



No pior sentido possível, tornou-se profecia cumprida
Uma prova triste e lamentável, pois perdeu a alma
De que Jesus Cristo - Filho de Deus -, está às portas...
_VBMello
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22 de junho de 2017

Admirável mundo novo

Seminal, insaciável, faminto, artificial
Que admirável mundo novo!
A ilusão não tem fim
O vazio nunca enche
A vida não para
A cidade não dorme
Dia e noite, o tempo todo
A corrida nunca cessa



O movimento é constante
A ansiedade é contínua
A chaga nunca sara
As conquistas são fugazes
Ó tempos, ó costumes!
Tudo que é sólido desmancha no ar
Tudo vive, mas nada convive
Não há mais certezas eternas
Tudo é relativo... Tudo é incerto



Como nos dias de Sodoma
Nas praças e ruas de Gomorra
Os tempos se confundem
As loucuras se misturam
O pecado se alastra
A consciência se cauteriza
O coração endurece
Os passos vacilam
Incapaz de suportar tanto peso
E a alma trinca e desaba
Como uma casa construída
Sobre um areal no fim do mundo



E o espírito do homem agoniza
E sofre o fardo insuportável
De um tempo de agonia e colapsos
E perece sob a amargura
Desses dias de cegueira moral



A vida  não é como deveria ser
Do nascer ao pôr do sol
O que prevalece é a escuridão
A soberba do saber
O esfriamento do amor
A agonia da fé
A morte da alma
O desespero da esperança



Voltamos ao tempo de Noé
Quando os homens todos
Dizendo-se sábios
Tornaram-se loucos
Abandonados às paixões infames
Cheios de maldade e malícia
Devoram-se mutualmente
E tudo neles, a imaginação
Os pensamentos e as palavras
Tudo - qualquer coisa, qualquer sentimento
Era continuamente inspirado pelo Maligno



No meio da escuridão, desesperados
Tateando ao meio-dia, como cegos
Os homens olham para o céu
Nada veem, nada escutam
Eles têm olhos, mas não enxergam
Tem ouvidos, mas não escutam
Esmurram o peito e gritam:
Deus morreu! Deus morreu!
E depois da anunciada morte de Deus
Assustados com a própria sombra
Sedentos de mais uma revolução
Anunciam guerras e rumores de guerras
E em nome de um mundo melhor
Dispõem-se – mais uma vez
A matarem-se uns aos outros
A peste anda na escuridão
E a mortandade assola ao meio-dia
Ao longe, mas não tão longe
Escutamos o tropel dos terríveis
Quatro cavaleiros do apocalipse
O fim vem, o fim vem...



A insegurança passeia entre nós
Os homens desmaiam de pavor
Joelhos tremem, mãos vacilam
Eli, Eli, lamá sabactâni
Deus meu, Deus meu
Que admirável mundo novo!
Sim, que admirável mundo novo



Há uma solidão que paira sobre nós
Tudo muda de um dia para o outro
Mas nada muda de verdade
Multidões de desiludidos
Sonham em escapar
Desse miserável Show de Truman
Mas não há como escapar
Não há para onde fugir
Não existe lugar seguro
A solidão se alastra
O vazio está em todo lugar
Os limites dos nossos horizontes
Estão todos predefinidos
Na arena do individualismo
O diabo impera e grita:
Trapaça, corrupção
Violência e morte
Que vença o mais forte!
Que vença o mais forte!
Olho por olho, dente por dente
Filho contra pai e pai contra filho
Essa é a lei da vida... e a lei da morte
Que vença o mais pecador!
Que vença o mais corrupto
Aplaudam os mentirosos
Imitem os corruptos
Tudo que importa nessa vida
É se dar bem... Sabedoria é ser rico
Inteligência é roubar e não ser preso
Subir na vida é pisar no pescoço do outro
Não bata na outra face de um cara de pau
Construam sobre fundamento alheio
Colham onde não plantaram
Aproveitem a oportunidade
Transformem pedras em pães
Comam! Embriaguem-se! Carpe diem
Vivamos como deuses... Amanhã morreremos
Viva a escuridão! Viva a corrupção! Viva a ambição!
Aplaudam, aplaudam! Olho por olho, dente por dente
Essa é a lei da vida... Essa é a lei do mundo e do submundo



Que admirável mundo novo
A maldade tem começo
Mas não tem fim
E quando pensamos
Que já vimos de tudo
Somos novamente surpreendidos
e levados para mais perto das fronteiras
Das insensibilidade e loucuras do coração
Olhe ao redor... Sinta o pavor
Pise na lama, suje as mãos
Até as maiores distancias
Que os olhos alcançam
E os ouvidos escutam
A história é sempre a mesma
Do nascer ao pôr do sol
E noite adentro
Só prevalece a maldição
Mentira e assassinatos
Roubo e mais roubo
Adultério mais adultério
Ultrapassam todos os limites!
E o derramamento de sangue é constante
A terra pranteia e se desespera
E todos os seus habitantes desfalecem



A depressão come a força das almas
E o suicídio canta vitória
E o mundo dorme escondido
Sob um manto de medo e escuridão



E o homem alucinado, sem saber para onde ir
Corre, corre, corre... E o tempo passa
Sem parecer que passa
Até que um dia – Oh, horror!
Acorda com os cabelos brancos
E compreende, embora seja tarde demais
Para compreender essas coisas
Que existiu sem viver
O tempo voou e a sua vez passou
Amanhã, morrerá... E depois de amanhã
Será esquecido para sempre...



Que admirável e maravilhoso mundo novo
Onde tudo voa, e o homem se arrasta



A preço da própria alma e vida
Como quem vende barato
A própria humanidade
Sedento de novos prazeres
Viciado em novas emoções
O homem salta no vazio
Vende a alma ao diabo
Negocia a alma de outros homens
E prospera e se desespera



Sempre faminto, sempre querendo mais
Lobo de outro homem, predador do mundo
Derruba montanhas e escava o solo
Bebe a água dos rios
E sopra chamas de fogo nas florestas
Pisa os jardins sagrados da alma
Esmaga as flores do campo
E prende as aves do céu
Indo sempre mais fundo
No caminho do louco
Derriba celeiros antigos
E constrói outros ainda maiores
Só pensa em si e em mais nada
Quer ser o único dono da terra
Quer usurpar a glória de Deus
Quer ser um deus... Mas é um diabo
Adora-se e quer ser adorado
Quer ser o maior... Quer ser o melhor
E o seu prazer é se olhar no espelho
Vaidade de vaidades! Tudo é vaidade
Vence tudo, só não vence a morte
Louco! Esta noite te pedirão a tua alma
E o que tens preparado, para quem será?



Sem se importar com mais nada
Ele corre em ritmo alucinado
Dita o ritmo das horas e dos dias
Constrói um mundo à imagem
E semelhança da escuridão
Loucura e ansiedades do seu coração
Mas o ritmo alucinante dos dias
Cobra um terrível e alto preço
Que que a vaidade nossa de cada dia
Não pode pagar... Pois é preço de alma



O corpo sofre, a alma se perde, o coração agoniza
Ele corre atrás da felicidade, e encontra o nada



No desesperado ritmo dessa vida primitiva
Mentirosamente chamada de vida moderna
Tudo é atropelado pela correria dos dias
Mil vezes por dia, todo dia
O homem atropela e é atropelado
Sofre e faz sofrer... Não sabe amar... Só sabe ter



Acossado pela angústia e pela perversidade
O homem sofre o desespero
De uma existência vazia e consumida
Pela necessidade e pela vaidade
De ter sempre cada vez mais e mais
Tudo que importa é a aparência
A moda agora é viver
Como um sepulcro caiado
Limpinho por fora, mas podre por dentro



Todavia, sob o manto fino das aparências
Além das flores e da tinta dos sepulcros
Nos domínios profundos do coração
Onde a luz do sol nunca chega
Onde tudo é vazio e escuro
A vida permanece pobre, miserável
E carente de um sentido maior



Sedento, faminto e desesperado
O homem transforma pedras e pães
Mas as fomes que devoram a sua alma
Pão algum consegue saciar
Então, cheio de tudo, mas vazio de Deus
Até se transformar numa sombra disforme
Da sua antiga imagem e semelhança original
Ele se embriaga, fornica, come, assiste TV e dorme
Desejando nunca mais acordar... Mas sempre acorda
Ainda que seja só para continuar a sua vida de sonâmbulo
Construtor de ilusões sobre a areia e roedor de prata e ouro



Todavia, um dia, entre a parada cardíaca e a crise de pânico
Entre uma veia entupida e uma noite de insônia
Entre a fidelidade e a infidelidade
Entre a verdade e a mentira
Entre a vida e a morte
Confuso entre a ilusão e a realidade
Ele parece que acorda
Todavia, mesmo acordado
Permanece dormindo
Pois acorda apenas
Para uma realidade parcial
Na ânsia de mudar de vida
Trocam seis por meia dúzia



Sim, então, depois de um choque
Ainda que por breve tempo
A pessoa acorda parcialmente
Para a sua verdade parcial
E como quem olha pela fresta da janela
Acostumada com a escuridão da caverna
Ela, ainda que só por um segundo
Percebe e sente na pele e nos ossos
A angústia que a cerca e a poda
Descobre que andou no caminho errado
Sente que perdeu o rumo da felicidade
Que a sua alma sucumbiu ao estresse
Que o seu coração já não é o mesmo
Que os seus sonhos e esperanças morreram
Que a vida sonhada saiu dos trilhos
E que ela já não sabe mais dizer com certeza
O que é sonho, realidade, mentira ou verdade



A vida passa tão rápido – agora ela sabe
Homem algum é um deus
Os sonhos e as esperanças
Como tudo que é humano
Agonizam, sofrem, adoecem
Morrem e desaparecem
Sim, no reino dos homens
E essa é a maldição desse mundo
Tudo envelhece e nada se faz novo



Desesperado com a vida perdida
A pessoa ambiciona recomeçar
Mas nas estações do mundo
Não há lugares de recomeço
No mundo, sob o sol
Longe de Deus
No campo ou na cidade
Ou no meio da madrugada
Na juventude ou na velhice
Na doença ou na saúde
Na riqueza ou na pobreza
Tudo é continuidade e mesmice
Nos caminhos do mundo, sem exceção
Tudo e qualquer coisa jaz no Maligno
E todo caminho é o início de um grande descaminho



Uma geração vai, e outra geração vem
E o sol, e o sol se põe
E apressa-se e volta
Ao seu lugar de onde nasceu
Os olhos não se fartam de ver
Nem os ouvidos
Se enchem de ouvir
O que foi, isso é o que há de ser
E o que se fez, isso se fará
De modo que nada
Há de novo debaixo do sol
Há alguma coisa de que se possa dizer:
Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados
Que foram antes de nós...
Que proveito tem o homem
De todo o seu trabalho
Que faz debaixo do sol? 
Porque todos os seus dias são dores
E a sua ocupação é aflição
Até de noite não descansa o seu coração
Também isto é vaidade. Tudo é canseira



A pessoa olha ao redor e grita: Eu só queria ser feliz!
Mas o seu coração grita de volta: Mentirosa! Mentirosa!



Em nome do famigerado desejo de poder
As verdades todas da alma foram sufocadas
Os sonhos todos foram postergados
E a vida inteira mergulhou num mar
De tristeza e solidão



Sem ter para onde fugir
A pessoa sente que chegou
A hora de prestar contas
O seu coração estremece
As suas pernas tremem
Não há mais tempo para ser feliz
Sob a condenação dessa sentença de morte
A pessoa rola na cama, mas o sono não vem
E quando vem, traz consigo pesadelos sem fim



Dia e noite, sem cessar, o tempo todo
Nos abismos do coração
Uma urgente necessidade de mudança
Cresce, ganha forma, grita e abala os fundamentos da pessoa
Uma profunda crise existencial se instala no tutano dos seus ossos
Ela range os dentes, pragueja, amaldiçoa, implora e orar
No momento seguinte, diz que Deus não existe, grita e chora
Deixa de lado os profetas e se agarra a poetas bêbados e suicidas
Ao invés de amadurecer, ela se infantiliza
Apavorada diante da situação sem saída
Ela nega, negocia, se enfurece, foge
Até tombar diante da depressão
E seguir percorrendo o seu longo caminho de dores
Onde nada faz sentido, tudo incomoda, tudo desgosta
E vida inteira se transforma num vulcão
Prestes a entrar em erupção...
E quando tudo explode
Não explode para fora
Explode para dentro
E destrói, com um único estrondo
Toda a sua frágil existência
Construída sobre o montículo de areia
Que é a sua vida de incredulidade e vaidade



Sim, um dia, a verdade anunciada nos pesadelos
Sobe até a superfície da consciência
E ganha aparência de realidade
O vulcão – o inferno interior
Explode e a alma é sacudida
Demônios que sempre se duvidou da existência
Agora andam sobre a superfície da sua pele
Sem opção, entre a morte e o abismo
A pessoa ensaia romper com tudo
Decide que precisa mudar de vida
Mas poucas são as opções de vida melhor
O mundo oferece uma mesa de mesmices
Mudar de emprego, trocar de cidade
Romper antigos relacionamentos
Correr uma maratona, cultivar novos hábitos
Comida natural, academia e meditação
Então, faminta de recomeços
A pessoa senta na mesa do mundo
E se farta de mesmices com sabores novos
Até que finalmente sente-se renascida
Assume os riscos pela busca da felicidade
Compromete-se com uma vida mais saudável
E se entrega de coração, alma e mente
Ao seu novo estilo de vida natural e feliz
Mas no coração ela sente – como poderia não sentir?
Que nada realmente mudou...



Mas uma nova mão de cal no sepulcro
Faz toda diferença... Até, quem sabe
A chagada do próximo dilúvio



Sim, ainda outra vez – com força dobrada?
O vulcão há de explodir novamente
E então..., enfim... Que admirável mundo novo
Desde sempre caminhando para a destruição...
_VBMello 
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