Amigos de Jó...











Estar diante da inocência
E não a perceber
Eis o pecado
Dos amigos de Jó


Eles tinham olhos
Mas não enxergavam
Tinham ouvidos
Mas não escutavam
Eram cegos e surdos
Para os gritos da inocência


Incapazes de descobrirem
A verdade oculta sob a dor
Mesmo sentados ao lado
Não enxergavam a essência


Teólogos das coisas exteriores
Não vislumbravam coisa alguma
Além da mera e simples aparência


Para eles, a aparência da pessoa
Era tudo o que importava
Incapazes de discernirem a alma
Viam o que queriam ver...

Consolai-vos uns aos outros...










Se por um lado 
Nós não podemos
Evitar o sofrimento
Podemos, pelo menos
Evitar aumentá-lo


A finalidade do sofrimento, se existe uma
É unir as pessoas, e não as separar
A união diminui o sofrimento
A comunhão anima o espírito
A amizade fortalece os propósitos
Pessoas que não se unem no sofrimento
Não se unem em momento algum...

Tudo tem o seu tempo...









O tempo em que sofremos e choramos
É o tempo em que devemos amar mais

O tempo em que somos perseguidos
É o tempo em que devemos perdoar mais


O tempo de desesperança e desengano
É o tempo em que mais devemos trazer à memória
Aquilo que pode nos dar força, fé e esperança

Um tempo de corrupção e morte
Como este que vivemos agora
É o tempo em que devemos falar
Com mais veemência sobre a vida
E denunciar a morte e a corrupção...

Notas sobre fé e egoísmo...







A fé é um dom gratuito de Deus
Uma alegria que nos surpreende
Uma dança para os nossos pés
Um riso para a nossa alma
Um significado para a nossa vida
Uma inspiração que nos arrebata
Humaniza, acalma e transforma
O nosso coração e pensamentos


Num mundo desumano e cheio de competição
Onde os fracos não têm vez, e os fortes pisam
Ela abre o nosso espírito para outras realidades
E volta o nosso olhar – e os nossos ouvidos
Para a simplicidade dos pássaros do céu
Que não semeiam, nem colhem
Nem armazenam em celeiros
E chama a nossa atenção
Para a graça dos lírios do campo
Que apesar de sua imensa fragilidade
São mais belos do que as vestes de Salomão

Notas sobre fé e sofrimento...








O sofrimento está no mundo
Nós estamos no mundo
E entre nós e o sofrimento
Há encontros difíceis de evitar


Como uma sombra incansável
Escondido sob muitas faces
O sofrimento nos persegue
Nos alcança e nos fere


Do berço ao túmulo, ele nos ameaça
Lutamos a vida inteira contra ele
Vencê-lo é a nossa meta

Não existe razão para ter medo...











No silêncio da nossa dor
Que ninguém mais vê
Que ninguém mais sente
Porque ninguém tem tempo
Ou porque já perdeu a alma
E se tornou completamente
Incapaz de um pouco de compaixão
Apesar da sensação de solidão
Não existe razão para ter medo


Sob a brutal sensação de abandono
A verdade simples e absoluta
É que nunca estamos sozinhos
Consolando, restaurando
Soprando fôlego de vida
O Espírito vive nas profundezas
Do nosso ser, animando
E vivificando o nosso coração


No lugar mais profundo
E inacessível da nossa alma
Onde demônio algum chega
E as perseguições humanas
Não tem poder ou autoridade
Onde Deus é tudo em nós
Sabemos que apesar das imensas
Loucuras e incertezas deste mundo
Que sofre nas mãos do Maligno
O Espírito testifica ao nosso espírito
Que somos filhos de Deus

Ser cristão...











Ser cristão – de verdade
É ter unicamente em Cristo
Por meio da fé somente
O salvador da nossa vida
Aquele que nos regenera
Nos salva, nos justifica 
E nos santifica


Se a nossa fé, ou qualquer área
Da nossa vida, para alcançar
A plenitude das suas possibilidades
De santificação, liberdade e paz
Depende de outro ser, homem
Anjo, milagre, sinal, profecia 
Ou acontecimento especial
Além da pessoa de Jesus Cristo
Ou se depende de barganhas
Justiça própria e sacrifícios
Para realizar a nossa aceitação
Diante do trono de Deus
E verdadeiramente nos integrar
Como filhos do seu reino

Cristo Jesus - Justiça nossa...

















Sobre a vida que não vivi
Sobre a morte que não morri
Sobre a morte de outro, a vida de outro
Minha alma arrisco eternamente

[Conhecendo as doutrinas da Bíblia – Cap 7 – Myer  Pearlman]

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A vida de Jesus, desde a concepção
Passando pela cruz, até o sepulcro vazio
Nos ensina o valor da justiça de Deus
Mas não estamos falando aqui
De justiça como fogo consumidor
Não é isso que aprendemos com Jesus

Com o evangelho de Jesus
Nós aprendemos
Que a justiça de Deus
É um ato livre do seu amor
Iniciativa exclusiva dele
Um favor imerecido
Através do qual
Deus atribui ao pecador
A justiça de Cristo
E justifica a todos
Aqueles que – pela fé
E não por obras
Abraçam a Cristo Jesus
E reconhecem o valor
Redentor da sua obra

Filho Pródigo...





















Deus é o Pai Amoroso
E todos nós, sem exceção
Somos filhos pródigos


Homens e mulheres
Que partem da cidade de Deus
E pela força do próprio braço
Fascinados pelas luzes e prazeres
Das cidades dos homens
Se desviam do caminho
E sonham ir além
Do que Deus prometeu
E terminam sempre
Feridos e arrasados
Aquém do desejo sonhado
Então, humilhados e desajeitados
Abandonados e sem ter para onde ir
Mortos de vergonha e medo
Retornamos ao lugar de onde
Não deveríamos ter partido
E para nossa surpresa e espanto
Deus nos espera de braços abertos

Príncipe da paz...









Com seu jeito simples e franco
Jesus atrai a si todo tipo de gente sofrida
E ele leva em conta os sofrimentos das pessoas
E não despreza as suas dores, dúvidas ou medos
Não julga, não afasta, nem condena ninguém
Com uma mansidão e uma humildade sem igual
A todos, cansados e sobrecarregados
Ele chama a si e oferece alívio e paz

O testemunho de Jesus...











Jesus dá testemunho do amor de Deus
A sua vida, amizades, ações e palavras
Com fartura de exemplos, nos ensina
Que a justiça de Deus é amor e perdão

Jesus não nos fala – gritando
De um Senhor dos exércitos
Criador furioso que cospe
Brasas e fogo consumidor

Esse é o testemunho dos fariseus e escribas
A quem Jesus chamou de hipócritas

Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração...

Ao cair da noite, diante de Deus
Longe das acusações dos homens
Examino o meu coração
O Espírito sonda a minha alma
A minha alma estremece
E as minhas pernas vacilam
Não tenho do que me vangloriar
Não tenho o que dizer a meu favor
Este é só mais um dia
Em que eu fiquei tão longe
De ser o que deveria ser


Não tenho bravatas espirituais
Para contar ou testemunhar
O meu testemunho
Testemunha contra mim
A minha história é a história
Das minhas quedas e tentativas
Então eu penso: O que seria de mim
Se não fosse a graça de Deus?

Tudo posso naquele que me fortalece...

É a fé em Deus
Que me faz forte
Diante da adversidade


Em dias de calamidade
Ela protege a minha vida
Inspirando alegria e bom ânimo
Nas profundezas do meu coração


Em tempos de escassez
Ela alimenta a minha alma
Inspirando fé, coragem
E esperança de dias melhores


Em momentos de abatimento
Ela fortalece o meu espirito
E me coloca de pé


Em época de escuridão
Ela ilumina os meus passos
E me mostra o caminho certo


Do nascer ao pôr do sol
Em toda e qualquer circunstância
Aos pés de Jesus Cristo, Filho de Deus
Eu alimento a minha fé em Deus
Ouvindo e meditando na sua palavra


Sei muito bem... Sim, eu sei 
Que em dias de escuridão
Abdicar da esperança
E deixar o amor esfriar
Não é outra coisa senão
Colocar em risco a minha 
Capacidade de luta e sobrevivência


Já que sem fé em Deus – eu bem sei
Me faltará o motivo e a força necessária
Para sonhar, lutar, resistir e
 permanecer de pé
No campo de batalha, onde reina a adversidade 
E prospera a ansiedade e a perseguição


Definitivamente, confiança em mim mesmo
É uma ilusão que eu não alimento mais
Preciso de fé em Deus - para tudo
Pois nele eu vivo, respiro, me movo e existo



Sem Deus, eu, pela força do meu braço
Não posso coisa alguma
Todavia, tudo posso
Naquele que me fortalece
Senhor, a tua graça me basta...
_VBMello

Filhos do Deus...












Por toda parte, do nascer ao pôr do sol
A alma do mundo geme infeccionada
Por agentes de angústia, desespero
Desamor, cobiça e incredulidade
Não há justiça, nem paz
Não há humildade, nem verdade
Densas trevas cobrem a terra
E a escuridão envolve os povos
Ao meio-dia tateiam como se fosse noite


O espírito do nosso tempo está absurdamente doente
Agoniza e morre sob o fogo voraz dos seus muitos pecados
Colhe os frutos apodrecidos do seu egoísmo e vaidade
E arrastado pelo peso da sua falta de compaixão
Afunda e se afoga na imundície da sua própria indiferença


Por toda parte, até os lugares mais distantes
Que os nossos olhos alcançam 
E os nossos ouvidos podem escutar
Tudo que é sólido, desmorona no ar


O espírito do mundo
Coberto de ansiedade
Pecado, cobiça e medo
Esmorece, geme, vacila
E desmaia dentro dele
E não há quem o socorra


Cresce a cultura de morte - e por toda parte
Os moradores da terra, tomados de incerteza
Buscam conforto em falsos mestres de espiritualidade
Outros, igualmente insensatos, desprezam a Deus
E, tomados por amor ao dinheiro e paixão pelo poder
Empinam o nariz e amontoam em torno de si
Uma supérflua montanha de coisas
Que o dinheiro pode comprar
Todavia, cheios de tudo
Permanecem vazios de alma
Vez ou outra, olham para o lado
E dizem: É só isso, a vida?


Dia após dia, como uma doença que se alastra rápido
As fomes da alma do homem do nosso tempo
Se multiplicam sem ter que as possa saciar


A depressão prospera e aniquila
A solidão finca raízes em todos os corações
E o suicídio ameaça subir na escala
Das principais causas de morte
De jovens, adultos e velhos


Sim, o mundo desmorona
Loucos tomam o poder
A corrupção prospera
Pai mata filhos
Filho mata pai
E há rumores de guerra
Em muitos lugares


Espíritos de ansiedade, incerteza e angústia
Pairam, zombam e andam entre nós
Com efeito, o mundo jaz no Maligno
E a sua cultura de morte e mentira
Invade todos os cantos da terra
E corrompe mentes e corações
Arrebanhando povos inteiros
Para o seu exército de trevas e medo


Como filhos de Deus, a nossa espiritualidade
Não é a espiritualidade da nossa época
E o nosso mundo, o reino de Deus
Não tem parte, nem aliança
Com este mundo que jaz no Maligno
Que todo dia, diante de nós, desmorona no ar


Não somos escravos do espírito do mundo
Não somos filhos dessa cultura que aí está
Não somos servos do vazio do nosso tempo
Cidadãos do reino de Deus, eis o que somos


Peregrinos na terra, somos filhos da eternidade
Nossos valores transcendem os tempos
E o nosso coração não se alimenta, nem se farta
Nas fontes vulgares da cultura dos homens
A nossa influência espiritual
E a nossa inspiração de vida
Vem de outro lugar


Somos filhos do evangelho
Vivemos no mundo
Mas dele não somos filhos
O que nos ilumina é a luz de Deus
O que dá sabor ás nossas palavras
É a Palavra viva de Deus
Ele é o nosso Pai, e não há outro


É diante da cruz de Cristo
Porquanto, como está dito
“Não há salvação em nenhum outro
Pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome
Dado aos homens pelo qual devamos ser salvos"
Que nos prostramos, adoramos, cremos e esperamos


Ele coloca as palavras da sua boca 
Nas profundezas do nosso coração
E nos protege com a concha da sua mão
Ele é o nosso Senhor e Salvador, e não há outro...
_VBMello