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A paixão do olhar

A paixão do olhar - Um título improvisado para um texto inacabado.
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A arte de ver anda de mãos das com a arte de sentir. Na paixão, por exemplo, sentimos o que vemos e ansiamos ver o que sentimos. O olhar apaixonado, pede proximidade e compromisso. Animado por sentimentos de proximidade, um coração sempre pulsa na direção de outro coração, e isso é assim, desde o começo do mundo. Assim como o espírito do poeta deseja se transmutar em belas palavras, virar rima, ser verbo, transformar-se em verso e finalmente decompor-se em poema, arte, música e poesia. O olhar apaixonado anseia ser toque, proximidade, encontro e abraço apertado.



Sim, o olhar - que agrada o coração - pede corpo e quer ser pele. Quer ser chamado de amor. Quer, com a leveza dos que se amam, encorpar-se em outro corpo, possuir, entregar-se, viver, morrer e se realizar eternamente na vida do outro.  Assim, acredito, a arte de ver precede a arte de amar. E a morte do amor segue a morte da pureza do olhar. E ambas, arte de ver e arte de amar, são artes de encurtar distâncias, pontes entre corações, empatia de almas, sincronicidade de pensamentos, união de destinos, palavras e corpos.



É impossível que exista uma arte de amar, sem uma arte de ver, que a anteceda, motive e inspire. A frieza e a pobreza da atual arte de amar, testemunha a pobreza e a morte da nossa arte de ver. O homem do nosso tempo, é triste dizer isso, não sabe ver, por isso, também não sabe amar. O homem do nosso tempo não sabe ver, nem sabe ouvir.  Sem contemplação e sem reflexão, na pressa de devorar e ser devorado, confunde as coisas, inverte os valores e troca os nomes. À cobiça, ele chama de paixão. À necessidade, chama de amor. Confuso e decepcionado, não demora até que começa a resmungar e dizer que o amor não existe. Nessa tragédia (às vezes, não raro, comédia pastelão), o homem culpa a mulher e a mulher culpa o homem. Todos, de um modo ou de outro, procuram um culpado para a morte do amor.



Penso que a morte da arte de amar, que ainda não morreu completamente, mas está morrendo rápido, é culpa exclusiva de uma terrível ausência de leveza, claramente visível e estampada no nosso modo apressado e distante, de olhar as coisas e as pessoas. Em outras palavras: a morte do amor é um efeito natural da morte da arte de ver. Quem não sabe ver com leveza, também não sabe amar com leveza. Ama, mas ama com brutalidade. Ama, mas não tem coragem de dizer que ama.



Lamentavelmente, falta ao coração do homem do nosso tempo, uma brandura e uma leveza no sorriso, que as crianças todas, ainda conservam, mas que os adultos, ou quase todos, já perderam, há muito tempo. Cheio de si, o homem do nosso tempo, sabe-se lá porque, se acha, por isso, coisa lamentável, não se enxerga, e por não se enxergar, nada vê, além da aparência das coisas e das pessoas...  (Aqui, nesse ponto do texto, eu dormi. Quando acordei, entretive-me com outras coisas, e o texto morreu aqui mesmo. Que pena. Postei assim mesmo, inacabado.)
_VBMello

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