13 de junho de 2016

Príncipe da Paz

E o Senhor será rei sobre toda a terra
Naquele dia um será o Senhor
E um será o seu nome
E este é o nome pelo qual ele será chamado:
O Senhor é a Nossa Justiça
O nossos Conselheiro
O nosso Deus Forte
O Pai da Eternidade
O Príncipe da Paz
Emanuel, Sim, Deus conosco
E então, onde ele estiver 
Nós estaremos também
E ele será tudo para nós
E nós - de eternidade em eternidade
Seremos sempre dele

- - -

Há muitos séculos, na viração dos tempos
Sim, na viração dos tempos
Mas ainda nos lembramos bem
Num tempo sombrio e remoto
Quando andávamos perdidos
Sozinhos e sem esperança no mundo
Desgarrados de Deus e da verdade
Quando tudo parecia perdido
Quando tudo jazia em densas trevas
A luz brilhou no horizonte do mundo
E o desejado de todos os povos
Aquele que os profetas anunciaram
E o nosso coração esperava 
Como um cálice de tontear
Sob o olhar maravilhado dos anjos
Vindo do céu, descendo do Pai das luzes
Cheio de poder e amor, apareceu no meio dos homens
O seu nome? Jesus, o Ungido de Deus...



Quem poderia imaginar?
Quem pode medir a nossa sorte?
Quem pode pesar a nossa felicidade?
Deus nos concedeu a maior de todas as graças
Um menino nos nasceu, um filho se nos deu
Anjos cantaram e pastores festejaram
A paz foi anunciada aos homens de boa vontade



Brilhando mais do que a luz do sol
Com uma suavidade estonteante
A luz surgiu no meio das trevas
E permaneceu iluminando dia e noite
Assombrados e maravilhados
Os homens viram a luz brilhar
Mas não a compreenderam
Ocupados com os seus negócios
Tinham olhos, mas não enxergavam
Tinham ouvidos, mas não escutavam
Nascidos na escravidão das trevas
Cada um acostumado a andar tateando
Não deram importância, nem fizeram caso da luz



Desprezado como uma raiz saída de uma terra seca
Ignorado como uma muda mirrada e sem valor
Largado de lado como uma planta atrofiada
Num campo de terra dura e ressecada
Ele não tinha qualquer beleza que agradasse 
Não tinha nome, riqueza ou majestade que atraísse
Nada em sua aparência, nas suas roupas ou endereço
Faziam dele alguém importante ou desejado
Sem mais, foi ignorado e desprezado



Com o coração incendiado de amor
Ele veio e estendeu a mão para os seus
Mas os seus não o reconheceram
Tomaram-no por um estranho
Ele não se parecia com eles
Ele não pensava nem falava como eles
Ele não se comportava como eles
Eles não se identificaram com ele
Filho de Deus? Quem ele pensa que é?



Comeram o seu pão
Ouviram as suas palavras
Viram as suas obras
Mas não creram nele
Filho de Deus? Não mesmo



Tomados de raiva e inveja
Numa reunião macabra
Inspirados sabe-se lá
Por qual força das trevas
Conspiradores insones
Possuídos por um êxtase demoníaco
Fora de si e sem saber o que faziam
Como cães loucos e mortos de fome
Latiam, acusavam, condenavam 
Invocaram a morte e chamaram a maldição
Gritavam e rangiam os dentes: Crucifica-o! Crucifica-o!



Se o seu reino fosse desse mundo cheio de inveja
Traição, vaidade, cobiça, morte, violência e mentira
Ele - com certeza - não teria sido rejeitado. Ele teria sido amado



Mas não era. O seu reino é de outro mundo
Um mundo de paz, amor e misericórdia
Alegria, justiça, humildade e verdade



Ninguém podia lhe acusar de coisa alguma
A sua face -  marcada como a face de um homem
Que sabe o que é sofrer, não negava que desde menino
O tempo todo, sem cessar, ele estava familiarizado
Com a tristeza e acostumado com todo tipo de sofrimento
A sua casa não era um rico palácio
Ele nem tinha nem uma pedra 
Onde recostar a cabeça
Era um leigo. Não tinha diplomas
Não tinha fazendas de gado
Não tinha apartamento de milhões
Era um homem de dores
Um homem puro, verdadeiro e santo
Que ninguém podia acusar de pecado
Uma pessoa acima de qualquer corrupção



No momento da sua maior dor
No instante da sua maior solidão
Abandonado por pai, mãe, amigos e irmãos
Desesperado a ponto de morrer de solidão
A alma angustiada até a beira da morte
Enquanto todos dormiam, ele morria



Sem alguém que lhe estendesse a mão
Sem alguém que lhe falasse uma palavra boa
As pessoas passavam por ele, e viravam a cara
Zombavam, amaldiçoavam e desprezavam
Nem mesmo os seus irmãos creram nele
Ninguém creu na sua pregação
Ninguém deu crédito às suas palavras
Atentaram contra a sua luz, violentaram a verdade
A sua dor era profunda e sem fim... 
Quem de nós pode beber o seu cálice, sem desfalecer?



Até os anjos pasmaram à vista dele
A sua aparência estava tão desfigurada
Mais do que a aparência de qualquer 
Outro homem visto ou conhecido
O seu semblante estava 
Completamente pisado e moído
Mais do que o semblante 
De qualquer homem sofredor
Jamais se viu humilhação igual
Como alguém de quem os homens escondem o rosto
Ele foi brutalmente ignorado e desprezado
Como um pária, foi deixado para morrer sozinho
Num profundo e sombrio vale de sombra e morte



Mas a tolice e a estupidez dos homens
Não extingue a misericórdia de Deus
A frieza e a brutalidade do coração humano
Não apaga a chama suave do amor de Deus
No meio das trevas do mundo dos homens
O milagre não cessou, a luz continuou a brilhar



A sua boca permaneceu em silêncio
E não proferiu uma única maldição
Ele não cometeu pecado algum
Nem em pensamento



A vida toda, o tempo todo, sem cessar
Ele foi (muito) injuriado, mas não injuriou a ninguém
Foi (muito) ameaçado, mas não ameaçou ninguém
Entregou-se completamente aos cuidados do seu Pai Celestial
Foi zombado, maltratado, oprimido, torturado e afligido
Mas não abriu a sua boca contra ninguém
Como um cordeiro, ele foi levado ao matadouro
E como uma ovelha muda perante os seus tosquiadores
Ele não abriu a sua boca, e jamais amaldiçoou a sua sorte
Pelo contrário, abraçou o seu atroz destino 
E todas as suas palavras foram de benção 
Perdão, paz e reconciliação



Acostumados com mentirosos e aproveitadores
Todos pensavam que ele era só mais um mercenário
Mais um aproveitador e explorador da fé dos pobres
Mais um ignorante, agitador e falador de blasfêmias
Mas a verdade pura e simples
É que nunca houve um tempo 
De homens tão surdos e cegos
Eles viram a verdade, mas não a reconheceram
Ele não era culpado de nada que sofria
Era o Filho de Deus e não havia pecado algum nele
O que ele fazia, ninguém, nem o mais sábio 
Via, escutava ou compreendia. Todos estavam cegos



A culpa pela qual ele sofria, não era dele. Era nossa
Era por nós que ele agonizava, sofria e morria



Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades
Sim, ele veio para dar um jeito na nossa vida
Veio para aliviar a nossa alma dos fardos do pecado
Veio para consolar e salvar o nosso coração angustiado
Veio para nos tirar das trevas e nos conduzir para o reino de luz
Veio para nos ensinar amar e perdoar. Veio para nos fazer filhos de Deus
Com efeito, ele levou sobre si as nossas doenças, as nossas vergonhas
As nossas deformidades de caráter e tudo mais que há de errado com nós



Contudo – que vergonha! Que vergonha! Que surdez! Que cegueira!
Nós, reputando-nos por sábios, o consideramos pecador
E vimos nele só mais um blasfemador castigado por Deus
Mas foi por nós, por mim e por você – por nós
Por causa dos nossos pecados e dureza de coração
Que ele foi pisado, humilhado, atingido, afligido e morto



Deus! Cometemos loucura... Trate-nos com misericórdia 
Somos cegos. Somos surdos. O nosso coração é uma pedra
Ele foi transpassado por causa das nossas transgressões
Ele foi esmagado por causa das nossas iniquidades
Se hoje vivemos em paz com Deus, é por causa dele
Se hoje temos esperanças eternas, é por causa dele
Se hoje podemos olhar com confiança o amanhã, é por causa dele
O castigo que nos trouxe essa paz que excede o entendimento humano
Estava sobre ele.... Sim, como não percebemos? Quem nos cegou?
Pelas suas feridas, nós – que merecíamos a morte que ele morreu
Fomos sarados, curados, restaurados e encaminhados aos braços do Pai



Ele é a imagem do Deus invisível
Ele andou entre nós
Nós o vimos
Ele nos tocou
Nós o tocamos
Rimos com ele
Andamos com ele
Comemos com ele
Escutamos as suas palavras
Ele falava com a autoridade do amor
Agora sabemos: Ele é o primogênito de toda a criação
Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra
As visíveis e as invisíveis... Sim, tudo, qualquer coisa
Tronos, soberanias, poderes e autoridades
Os pássaros do céu, os animais da terra
As estrelas, nós, e até a pequena flor do campo
Tudo foi criando por ele. Ele é o Criador
Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste
Nele nós vivemos, e nos movemos, e existimos
Ele é o princípio e o primogênito dentre os mortos
Nele habita a plenitude da sabedoria e da vida
Para ele convergem todas as coisas, o céu e a terra
Nada existe e permanece existindo, a não ser por meio dele
Todavia, oh! que vergonha! Nós o tratamos como nada
E escondemos dele o nosso rosto... Como se fossemos melhores do que ele
Miseráveis homens que somos! Sim, miseráveis homens que somos
Somos tão cegos, surdos e ignorantes...
*
[Texto baseado em Isaías 53 – Colossenses 1 – e outros]


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