10 de junho de 2017

Escrever é um exercício de espera






Às margens do rio do silêncio
Eu me sento e espero
Os meus olhos permanecem
Fixos nas estrelas
Os meus ouvidos, atentos
Ao caminhar dos pássaros
Nos galhos das árvores


No silêncio, nenhuma solidão
A vida segreda mistérios ao coração
Nos lábios, nenhum som ou palavra
O coração permanece calado, escutando


Não há palavra, nem discurso
O silêncio é tudo que há
E no silêncio, uma linguagem
Sussurra no ar, acima do vazio


Nas profundezas da alma
Uma inspiração chama e espera
Pela chegada das palavras
Que surgem como o sol
Numa manhã de primavera


Depois da noite escura e fria
O Espírito vem e passa
Uma brisa sopra
A alma revigora
A espera termina
O silêncio abraça a palavra
Um pequeno milagre
O espírito anseia ser verbo


Diante da folha de papel em braço
A luta cessa, o caos ganha forma
A Luz inunda a escuridão
Um rio de vida flui do coração


Céu, terra, altura, profundidade, largura
Longe, perto, aqui, agora, tudo é graça...
_VBMello


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