23 de dezembro de 2016

Foi para a liberdade que Cristo nos libertou...

Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão. [Gálatas 5:1]



Para muitas pessoas crentes, não todas - felizmente. Espiritualidade é ver e ouvir anjos, ter visões, sonhos, sentir Deus, falar em línguas estranhas, entregar profecias a torto e a direito, cair no "espírito" e coisas semelhantes a essas. 


Não penso assim. Nunca pensei assim. A verdadeira espiritualidade, embora não exclua o sobrenatural, não se encontra, de maneira alguma, dependente de nenhum mover (supostamente) sobrenatural.


Antes de continuar, uma observação. Quando eu disse acima, que a vida espiritual não exclui o sobrenatural, de modo algum estou afirmando que as coisas listadas no primeiro parágrafo, são realmente espirituais. Se são, é bom que se diga, isso não depende delas ou de quem (supostamente) as tem, mas de a Bíblia dizer se são realmente espirituais, ou não. Dizer se isso ou aquilo é espiritual, não depende da opinião de ninguém, mas da Palavra de Deus. 


Hoje em dia, o que se chama espiritualidade, na maior parte das vezes, não depende do que a Bíblia diz, mas da opinião de quem diz que aquilo é espiritual. Ora, quando a opinião das pessoas vale mais do que a Palavra de Deus, inicia-se o caos. 


O dom de discernimento, por exemplo. Discerne espíritos, mas não discerne a si mesmo. É discernido - tão somente - pelo texto bíblico. Em si, um dom ou um mover espiritual, por maior que pareça ser, não é coisa nenhuma, a menos, claro, que o texto bíblico diga que ele é alguma coisa. Se uma coisa é espiritual - ou não -, não depende da nossa opinião ou imaginação, depende do que o texto bíblico diz. 


Nas coisas de Deus, nada depende de quem diz que tem - ou diz que é alguma coisa. Tudo, o pecado, a santidade e a espiritualidade, depende do que a Bíblia diz. 


Ora, na igreja de hoje, tal qual a meretriz do apocalipse - aquela que vai sentada sobre o lombo do dragão - à luz da Palavra de Deus, muita gente que se diz espiritual, inclusive pastores, ou principalmente pastores, estão mais para candidatos a uma urgente visita ao psiquiatra mais perto. Isso, para dizer o minimo, porque o que muitos precisam mesmo, é de cadeia. 


Convenhamos, capitaneadas por esses líderes de coisa nenhuma, que, convenientemente, se ocultam sob a armadura impenetrável de uma magia chamada - ou macaqueada - de unção de Deus, a loucura e a falta de caráter, estão criando raízes fundas em boa parte do que hoje chamamos, inadvertidamente, de igreja de Cristo.


A espiritualidade de Jesus, sem falar em línguas, sem cair no "espírito", sem sonhos e interpretação de sonhos, sem gritaria de qualquer ordem, acontecia na simplicidade do seu dia a dia. 


Jesus, ao contrário de muitos líderes de hoje em dia, não andava de canto em canto, astutamente inventando uma estranha espiritualidade, só para impressionar - e meter a mão no dinheiro sofrido das pessoas simples.


Ele simplesmente ia de um lugar para outro, fazendo o bem e ensinando a fazer o bem. Eis a espiritualidade que Jesus ensinou: Vestir o nu, dar de beber ao sedento, colocar-se sempre ao lado do injustiçado, buscar a paz com todos e andar em espírito de humildade e santidade.


Assim - porque sou um seguidor de Jesus - e não um seguidor de loucuras espirituais, ditas pentecostais, penso que é aqui, na vida normal, com os pés bem firmes no chão, que a verdadeira espiritualidade, que é amor verdadeiro ao próximo, na forma de uma palavra amiga, um ombro em tempo de dificuldade, solidariedade, amizade, fidelidade e bondade... Enfim, é na normalidade do cotidiano, pelo menos para mim, movida pela normalidade das palavras e dos gestos, que a espiritualidade  de Jesus, acontece plenamente na nossa vida e na vida dos nossos irmãos de comunhão... 

_VBMello

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Para compreender melhor o que estou tentando dizer, assista o vídeo abaixo.