21 de novembro de 2016

Coração indeciso, terra ruim para a semente do evangelho...

















Fé, esperança e amor
O coração onde essas três virtudes 
Esfriam, enfraquecem e morrerem
Lembra o terreno duro e espinhoso 
Descrito na parábola do semeador
Onde a semente que cai no chão ruim
Penetra as raízes e começa a germinar
Mas não vai muito além disso
Sufocada pelos espinhos
Não demora até que perde as forças, seca e morre...


Assim também, disse Jesus, é com aquele que escuta o evangelho e nutre por ele, uma breve simpatia. 


A luz do evangelho ilumina o seu coração e desperta o seu olhar.  Abre novos horizontes diante dos seus olhos. Acorda sonhos antigos e desperta novas esperanças. Coloca diante dos seus pés, um novo caminho e o orienta num modo novo de viver. Ele, empolgado com a novidade, dá alguns poucos passos e até experimenta alguma alegria e esperança... Mas não vai além disso.




As antigas preocupações prevalecem. Há metas para cumprir e coisas para fazer. A nova vida exige um tempo que ele não tem. Ele até tenta andar nos dois caminhos, e, talvez, até colher o melhor de cada um deles, mas não demora para compreender que não é impossível seguir dois senhores ao mesmo tempo. O tempo passa. A semente não é regada e o chão em torno dela fica coberto de ervas daninhas. As raízes da semente topam com as pedras, e começam morrer. O entusiamos do começo desaparece. Perdido nas antigas preocupações, já não gasta tempo com as coisas do novo caminho. 


De tempos em tempos, ensaia um novo retorno, mas por ter um coração indeciso e cheio de dúvidas, ao primeiro vento, fraqueja e fica aquém da intenção declarada de seguir pelo seu novo caminho, que agora, ele compreende, é estreito e exige mais do que a força do próprio braço. Exige humildade e fé a cada passo. Diante das primeiras dores, abandona a caminhada e segue pelas estradas do seu próprio coração.


A sua vida é cheia de outras prioridades. Tem muita gente que precisa impressionar. Precisa manter as aparências de bom moço. Afinal, nos domínios competitivos do mundo, onde uma aparência de sucesso, é tudo que conta, ter e fazer, vale mais do que ser. 


Afogado num mar de prioridades, não faz da palavra ouvida a prioridade do seu coração. Cheio de vozes por todos os lados, tudo competindo pela atenção do seu coração, não consegue encontrar o silêncio necessário para absorver de Deus, o alimento que a sua alma tanto deseja e precisa. 


Ocupado com tudo, não tem tempo nem vontade de buscar em Deus, a riqueza e a sabedoria capaz de satisfazer as necessidades da sua alma, ao mesmo tempo vazia, cansada e cheia de tudo. 


Não tem coragem, nem disposição suficiente para permitir que a Verdade mergulhe além da crosta das suas angústias e se aloje - para sempre e eternamente - nas profundezas do seu coração, onde, de fato, todo homem é transformado e as coisas velhas são deixadas de lado, e tudo se faz novo...


Como alguém que nunca viu a luz da vida, por sua própria conta e risco, vira as costas ao novo caminho. Faz que não escuta a sua consciência... Tapa os ouvidos o chamado da vida e escolhe continuar trilhando o mesmo velho e batido caminho de dores. 


Entristecido, pois o seu coração idolatra muitas coisas que ele, mesmo fazendo constante apologia da sua liberdade e livre-arbítrio, não consegue deixar, segue carregando o fardo insuportável da própria vida. Vivendo como sempre viveu, comprometido apenas com o próprio Ego... 


Confuso, escutando as vozes incertas do mundo, segue gastando e perdendo tempo... Até que – novamente -, vencido pelas correrias da vida, curvado sob o peso da indecisão, vacila na fé e perde a esperança... Às vezes, perde a cabeça... E volta abatido para o seu velho mundo de bolha de sabão, onde segue em frente, caindo e tropeçando na sua eterna busca de sentido... Andando em círculos, perdido, arrependido, desesperado e sem saber para onde o seu caminho o leva... Não é esse, como se diz, o caminho do louco?
_VBMello