8 de julho de 2016

Fé, verdades e mentiras...



















A vida de fé, como qualquer outro modo de vida
Também tem as suas armadilhas e enganos
Por exemplo, muitas vezes
O que tão precipitadamente
Nós chamamos de: “a nossa vida de fé”
Não é nada mais, nada menos
Do que uma confiança inconsciente
Em nós mesmos
Na força do nosso próprio braço
Sabedoria, posição e saúde...
*
Conhecemos o tipo
Ele não nos é estranho
Basta ter olhos, para vê-lo
Ele está em todo lugar
Nas praças, nas esquinas
Nos púlpitos, sempre 
Nos melhores lugares
Cheio de si, forte, santo
Bem-sucedido, convencido
Imaculado, nariz empinado
Ungido, vitorioso e poderoso
Sempre buscando imitadores
Sempre apontando defeitos
Dividindo, espalhando, enganando
E fazendo discípulos e seguidores...
Jesus chamou a todos esses tais “homens de fé”
De hipócritas, filhos do diabo, víboras e raposas...
*
Grosso modo, a coisa toda funciona assim
Nos agarramos a um conjunto de doutrinas 
Leis, crenças, superstições e convicções
Criamos um caminho perfeito, só para nós
E tocamos a vida
Enquanto tudo vai bem
Enquanto a nossa capacidade 
De agir, pensar, sonhar e trabalhar
Dentro dos limites estreitos
Do nosso caminho demarcado
E a nossa missão autoimposta
De fazer prosélitos, não encontra tropeços
E tudo na nossa vida, segundo as nossas regras
Crenças e convicções, corre e funciona bem
Nos sentimos fortes, felizes, abençoados e confiantes
E baseados nesse agradável sentimento de bem-estar
Dizemos que temos fé e que vivemos uma vida abençoada













Mas não é bem assim
A vida real, sempre ela
Não respeita convicções 
Crenças, superstições e ilusões 
A vida real tem uma estranha mania
De desmoronar justamente
Quando a gente menos espera
E a guerra geralmente acontece
Quando nos encontramos dormindo na segurança
Do nosso leito de falsa paz e crenças vazias
Seja como for, graças a Deus
A fé, ao menos a fé verdadeira
Não tem nada a ver com as nossas superstições
E crenças inconscientes em nós mesmos
Ela não depende do nosso bem-estar
Não depende da força do nosso braço
Não depende do nosso cartão de crédito
Não depende da nossa sabedoria
Não depende das circunstâncias ao redor
Não depende dos amigos, que supostamente temos
Não depende da força da nossa família
Não depende do afago - ou do tapa - da nossa mãe
Nem do olhar motivador - ou desanimador - do nosso pai
Estritamente falando, a verdadeira fé
Só depende de Deus, e de mais nada
E essa é a nossa sorte...














Sim, meu irmão, meu igual, a vida real 
Não pergunta se você é pastor, ovelha, raposa, cobra ou lobo
Ela atropela e passa por cima de todos e arrasta para a lama
Convicções, crenças, sabedoria, livros, obras e tudo o mais...
Diante da vida real, os valentes tombam e rangem os dentes
Na vida real, a morte, a doença, a depressão e a escuridão
Batem na porta do crente e do ateu, e não livra a cara de ninguém
Portanto, é diante das inclemências da vida real
Que a fé verdadeira, é provada e se firma como dom de Deus
E as crenças humanas, religiosidades
Farisaísmos e hipocrisias, desmoronam
E revelam a sua mais completa futilidade e inutilidade...
*
Portanto, ao contrário das crenças dos fariseus e filisteus
A verdadeira fé em Cristo
Deve, previsivelmente
Acontecer e permanecer viva
Justamente, quando perdemos tudo
Quando todas as portas se fecham
Deve acontecer justamente quando 
A nossa saúde se vai e o nosso bem-estar
Se evapora diante das provações da vida real
Deve acontecer quando a nossa força desmorona 
E os nossos sonhos não se realizam
E as nossas expectativas, uma a uma, falham
E as nossas dificuldades e fraquezas todas
Sem nenhum respeito pelos nossos sonhos, prevalecem
E nos joga de cara no chão, e nos deixa ali
Humilhados, prostrados, derrotados
Sem ter quem nos socorra
Sem ter quem nos estenda a mão
Sem ter quem nos ofereça uma palavra
Para fortalecer o nosso coração
E alegrar o nosso espírito...













Não foi esse o caso de Jó? 
Não é isso que a sua história terrível, nos conta?
Que a sua fé em Deus
Ao contrario do que o diabo pensava
Não dependia, em absoluto, da sua saúde
Influência política, amigos
Poder, família, filhos e riquezas
Mas sim, que dependia unicamente 
De algo muito maior do que ele 
E de tudo que ele sonhava
Desejava, amava e possuía
Algo divino, que habitava nele
E por meio do qual 
Ele respirava e vivia, Deus?
*
Eis, portanto, a prova da verdadeira fé, a perda de tudo
Não foi isso que aconteceu com Paulo?
Não foi isso que aconteceu com o próprio Jesus?
Que sendo Deus, terminou numa cruz vergonhosa?








A verdadeira fé, nos transpassa e nos transcende

É maior do que a nossa cruz, inimigos e falsos amigos
Não está vinculada ao que nós somos - ou pensamos que somos
Mas está vinculada unicamente ao que Deus é e faz acontecer
Não está vinculada ao braço forte da nossa carne
Família, amigos, sangue, posição, religião e sabedoria
Depende de Deus, unicamente da graça e do amor de Deus
E de nenhuma outra conjuntura, situação ou circunstância
Paulo conhecia isso muito bem, quando disse
Pois, quando sou fraco é que sou forte...
Essas são palavras de um homem maduro e experimentado
Que, na própria carne, e não apenas de ouvir falar
Entendeu exatamente o que é viver uma vida de fé
Com efeito, é nas nossas fraquezas
Que a nossa fé se revela como um dom de Deus
*
Assim, quando tudo em nós, transpira fracasso e derrota
Quando a saúde se vai e as portas do mundo se fecham
E as posses, os parentes e os amigos, também se vão
E nós ficamos sozinhos, caindo e postados diante de Deus
E sem nenhuma outra esperança, caminho ou opção
A força, a esperança e o sopro de vida
Que, apesar de tudo, permanecer em nós
E nos reerguer das cinzas e nos colocar novamente de pé
De modo que a vida, ainda outra vez, floresça em nós
Nós podemos - sem medo de errar
Chamar de fé e graça, favor imerecido de Deus...
_VBMello