15 de julho de 2016

Acima do caos da vida...














Oculto sob o fundo manto espesso da tristeza
Onde a graça da ingenuidade, nunca morre
E a inocência floresce e frutifica sonhos
E esperanças de quietude e saudade
O mundo inteiro acomodou-se em silêncio...

Nas profundezas abissais do coração

Como uma fonte a jorrar para a eternidade
Apenas o sussurro do Espírito, se faz ouvir
Nos temores e insondabilidades do deserto
Um rio de vida flui e reflui, sem cessar...

Onde era inverno, agora é primavera

Onde havia apenas chão de pedra e solidão
Agora, neste instante, há jardins florescendo
Onde havia gritos e leões ao derredor
Sopra o silêncio de uma brisa calma
Sob um infinito tapete de lírios do campo
Bandos de pardais, descansam e cantam...

Nas madrugadas dos dias escuros

Encontro-me sozinho comigo 
E sussurro orações a Deus
Que previsivelmente
Porque o silêncio 
É a melhor resposta
Não me responde...

Sozinho, onde o ar é puro e nunca rareia
E o espaço é do tamanho da eternidade
A m’alma se sente submersa no encanto
Dos primeiros dias da criação...

No secreto da minha alma

Sem ninguém ver, sem ninguém ouvir
Sozinho com o silêncio de Deus
O meu destino, a minha vida
Nas entrelinhas das palavras inefáveis
No descanso da minha alma
Se realiza e criar raízes de leveza 
E frutos de serenidade e paz...

Sem pai, sem mãe, odiado pelos irmãos

Tendo apenas o céu como amigo, companheiro e irmão
Na casa da fragilidade, onde o dia gesta dor
E a escuridão da noite derrama as lágrimas
De um peito acostumado a engolir o choro
Com um grito preso na garganta
Rico de coisas que não faz falta a ninguém
Ferido e cansando de lutas incertas
Estou só perante o mundo
A um passo do reino de Deus
E não sinto falta de coisa alguma...

Acima do caos da minha vida

Paira um vento manso e sereno
Que sopra, renova, conforta 
Ilumina e faz novas todas as coisas...
_VBMello