19 de junho de 2016

O Cisco e a Trave

Um cisco no olho, querendo ou não
Ainda permite certo grau de visão
Não é uma visão ideal da realidade, claro
Mas ainda assim, permite ver alguma realidade
Mas uma trave enfiada no olho
É a cegueira total da realidade
Tão cego o indivíduo fica
Que não tem a mínima consciência
Da própria escuridão e cegueira
Pensa que vê e jura que vive na luz
E não somente pensa que vê
Mas tem certeza que vê melhor
Do que todo mundo
Inclusive, tem certeza absoluta
Que vê melhor a realidade da vida
Do que o seu próximo, que tem um cisco no olho
Então atribui a si mesmo, o cargo de juiz de cegos
Isso é realmente, uma cena muito cômica
O indivíduo acusa, ofende, condena e julga todo mundo
Pega birra da religião dos outros, vira caçador de hereges
E gasta a vida (e o pouco que lhe sobrou de inteligência), tentado
Na base do grito e da ofensa - tirar o cisco do olho do seu próximo
Quando na verdade, o mundo melhor com o qual ele sonha
E se esforça tanto para criar - Ficaria realmente melhor, se ele
Ao invés de se preocupar tanto com a visão dos outros
Se preocupasse tão somente em tirar a trave que está enfiada
E enraizada no fundo do seu próprio olho, coração, alma e mente
Enfim, essa é a tragédia e a comédia da trave...
Da tragédia e da comédia do cisco, falo em outra oportunidade
_VBMello
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Imagem - O Cisco e a Trave 1619. Por Domenico Fetti, atualmente no Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque. (Wikipédia)